sexta-feira, 13 de março de 2009

Comentário ás metáforas da Epístola aos Gálatas

Comentário ás metáforas da Epístola aos Gálatas.


Gal 2,2: «ao fim de não correr nem ter corrido em vão».

A considero metáfora por conter uma comparação com um atleta que participa a uma corrida e tem que saber as regras da competição.

Gal 2,9: «os notáveis tidos como colunas».

É metáfora em quanto é comparado a uma coluna como sinal de firmeza.

Gal 2,19-20: «foi crucificado junto com Cristo…mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne».

Não habita fisicamente mas espiritualmente. A carne é metáfora porque exprime a vida do homem na terra, o seja, o viver terreno.

Gal 3,7: «os que pela fé são filhos de Abraão».

A imagem do filho não biológico mas em virtude da fé.

Gal 3,24: «assim ali se tornou nosso pedagogo».

É metáfora em quanto confere uma personalidade a lei, como se fosse um mestre.

Gal 3,27: «vos vestistes de Cristo».

É metáfora em quanto a veste faz presente uma nova natureza para o baptizado.

Gal 4,14: «me recebestes como anjo de Deus».

È metáfora porque esta expressão de grande dignidade que confere a Paulo um estatuto especial.

Gal 4,15: «arrancar os olhos para dá-los a mim».

É metáfora porque expressa a total confiança e gratidão para com Paulo.

Gal 4,19: «meus filhos, porque sofro de novo as dores do parto até que Cristo seja formado em vós».

Utiliza a imagem duma mulher que vai dar à luz para expressar o sofrimento que lhe causa a sua paternidade espiritual.

Gal 4, 31: «por tanto irmãos não somos filhos da serva mas de livre».
É metáfora em quanto expressa que são filhos da graça e não da lei.

Gal 5,7: «correis bem».

Esta é uma clássica comparação de São Paulo: compara a vida da fé a uma vida de atleta.

Gal 5,9: «um pouco de fermento leveda toda a massa».

Assim como um bocado de fermento leveda uma grande quantidade de massa, do mesmo um só cristão adulto pode iluminar os que estão em volta dele manifestando o amor de Jesus Cristo.

Gal 5,15: «mas se vos mordeis e vos devorais reciprocamente, cuidado, não aconteça que vos elimineis uns aos outros».

Equipara o homem que mata ao seu próximo por falta de caridade com as feras que matam entre si.

Gal 5,22: «mas o fruto do Espírito é o amor».

O homem que recebe o Espírito Santo produz obras de vida eterna. Ama.

Gal 5,24: «pois os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos».

É metáfora porque em Cristo a carne é submetida ao espírito.

Gal 6,5: «pois cada qual carrega o seu próprio fardo».

À metáfora utilizada representa a Cruz que torna-se instrumento de salvação para aqueles que acreditam.


Gal 7,8: «não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá: quem semear na sua carne, da carne colherá corrupção; quem semear do espírito colherá a vida eterna».

Aquele que sêmea na carne deixando-se levar pelas paixões encontrará a morte. Em quanto que aquele que sêmea no espírito, vivendo na vontade de Deus, encontrará paz e receberá a vida eterna.

Gal 6, 14: «por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo».

É metáfora em quanto refere-se ao mundo da carne e do pecado, contrario ao Espírito de Cristo.

Gal 6,15: «mas a nova criatura».

Refere-se a imagem de Cristo reflectida nos cristãos.

Gal 6,16 «paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus».

O Israel de Deus representa a todos aqueles que aderem a Boa Nova do Evangelho de Cristo.

Gal 6,17: «pois trago em meu corpo as marcas de Jesus».

Compara o seu sofrimento com o sofrimento de Cristo.

A fortaleza de Paulo de Tarso

A fortaleza de Paulo de Tarso.


Uma das frases de São Paulo que mais me interpela é: «…pois quando sou fraco, então é que sou forte» (2Cor 2,10). Escolhi esta frase por vários motivos:
Por um lado, o meu apelido é Forte, e portanto desde que entrei na Igreja esta palavra ajudou-me a perceber que a citação de Paulo reflectisse muito a minha história.
Par além disso, antes de começar esta experiência eclessial estava convencido que a força estava naquele que resistia perante ao mal. Enquanto como Paulo imitando a Cristo também eu estou aprendendo que não resistir ao mal é estar mais perto de Deus.
Assim pouco a pouco descubro que o “forte” não é aquele que está em pé mas aquele que cai e se levanta sem nunca desconfiar da misericórdia de Deus.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Citação de São Paulo

"Trazemos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso".
2Cor 5,7

Escolhi esta citação da segunda carta aos Coríntios porque é uma frase que me vai acompanhando nestes anos de caminhada de seminário. Apesar de frágil que é a Vida Humana, somos continuamente chamados por Deus para anunciar este Tesouro que é maior que todos nós.

Ps: Esta talvez seja uma boa citação Paulina para colocar no cartão da Missa-Nova...=)

Comentário ao artigo sobre a carta a Filemon

Comentário do artigo «Dalla schiavitú alienante alla libertá creativa e dalla dignitá umana alla fraternitá cristiana» Note di un economista sulla lettera a Filemone.
Di Francesco Rizzo, Universitá de Catania.


Introdução.

Os justos elogios que Paulo faz à caridade de Filêmon serve-lhe de pretexto para não usar a sua indiscutível autoridade apostólica. Entre todas as cartas que São Paulo escreveu, aquela a Filêmon resulta ser uma jóia onde é posto em relevo a atitude cristã perante a escravidão. Frente as condições sociais daquela época São Paulo traz algo de novo, introduzindo uma nova dimensão espiritual considerando a igualdade fraterna tendo o mesmo criador e pai.
A atenção é dirigida as pessoas considerando a própria transformação interior. Aos dias de hoje onde as estruturas sociais como a Igreja, o estado, família, escola, sendo afectadas pelas várias ideologias presentes ao longo da história, só podem encontrar uma resposta válida na pedagogia evangélica, onde se considera: o homem autor, centro e fim relativo da historia; Deus autor centro e fim absoluto da historia.


Agradecimento a Deus pelo amor e fé de Filêmon.

O autor deste artigo põe em relevo os versículos mais significativos da carta, começando pelo versículo 5: «Porque oiço falar do teu amor e da fé que te anima em relação ao Senhor Jesus e para com todos os Santos». Resulta ser muito interessante ver como Paulo antepõe o amor a fé. Isto resultaria um elemento essencial como ajuda na reflexão daqueles que procuram à verdade esquecendo-se do amor como fundamento da verdade.
A este propósito Bento XVI diz: «a caridade … não é um meio de proselitismo. O amor é gratuito … quem exercita à caridade … não procurará nunca de impor a outros a fé da Igreja … O cristão sabe quando é tempo de falar de Deus e quando é de ficar calado deixando falar somente o amor». Realmente o amor de Deus manifestado no rosto de Cristo ilumina a verdade de Deus que é capaz de mudar «o meu luto em dança» (salmo 30,11).
Continuando no versículo 6 «posso a tua generosidade inspirada pela fe tornar-se eficaz pelo conhecimento de todo bem que nos é dado realizado por Cristo». Já aparece claramente o que é capaz de produzir a fé, o seja, esta dupla direcção do amor para Deus e para os homens ao mesmo tempo. Para além do anuncio da palavra, da boa nova, o essencial é que no seu acolhimento haja todo o bem pelo qual em nome de Cristo se consegue cumprir a nossa missão apostólica. Paulo deseja que o agir no amor seja o sinal eficaz da vida nova recebida pelo evangelho, e contribua a ser difundido. Dito em outras palavras «já na terra experimentar a vida eterna, fazendo presente a maravilha do mistério do amor governado pela Igreja». Assim realiza-se a economia da salvação.
No versículo 7, «de facto tive grande alegria … os corações dos santos». São Paulo convida Filêmon a não cansar-se de praticar o bem, a intenção de Paulo é de conquistar Filêmon servindo-se da carta como depósito de caridade que leva á fé. Daqui nasce a economia monetária da riqueza da fé que tem como único interesse aquele do amor.
Paulo intercede em favor de Onésimo, escravo convertido, fugido do seu padrão.

Nos versículos 8 e 9, «por isso, tendo embora toda liberdade em Cristo de te ordenar o que convêm, prefiro pedir por amor…prisioneiro de Cristo Jesus». Em vez de evocar a suma autoridade apela à caridade dele. Isto mostra a autoridade que é em Paulo, porque só quem tem uma grande autoridade pode pedir uma cortesia e não uma ordem. Não é o apóstolo responsável pela comunidade de colossos que lhe da ordens imperiosas, mas simplesmente «Paulo já ancião, e agora prisioneiro por amor de Cristo Jesus» três títulos suficientes para desencadear a caridade de Filêmon que lhe faz um pedido.
No versículo 10 «que venho suplicar-te…que gerei na prisão». Aqui há um pedido de súplica para que Onésimo poça ser libertado, Paulo considera-o como filho espiritual gerado na fé em Cristo.
«Outrora ele te foi inútil…, para mim» (v.11). É interessante esse jogo de palavras com o nome de Onésimo, que em grego significa “útil”.
«Mando-o de volta a ti; ele é com se fosse o meu próprio coração» (v. 12). Paulo compara Onésimo ao seu coração para evidenciar à importância que tem para ele. Há um utilizo duma metáfora comercial, na qual Paulo considerava-se sócio com Filêmon na mesma empresa apostólica na difusão do evangelho.
«Eu queria segura-lo comigo; …Não fosse como que forçada mas espontânea» (vv. 13-14). Nesses dois versículos podemos ver uma espécie de triangulação trinitária: como o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três pessoas que são igualmente Deus, assim Paulo, Filêmon e Onésimo resultam ter em comum algo, isto é, a mesma liberdade que traz o encontro com a pessoa de Cristo. Só o amor é capaz de realizar algo que nenhuma ideologia o dimensão política pode realizar sendo que é o amor que revela-se como o amor criador.
«Tal vez ele tenha sido retirado…para sempre» (v. 15). Nesta separação mostra-se como Deus sabe tirar do mal o bem, sendo que Filêmon prepara-se a libertar Onésimo a través do pedido de Paulo.
«Não mais como escravo…segundo a carne e segundo o Senhor» (v. 16). É caracterizado por Paulo que pela proclamação do nome de Jesus destrói a escravidão infringida a Onésimo. Manifesta-se uma grande sabedoria da Igreja, sendo que o cristianismo eleva e dignifica as relações entre os homens.
«Por tanto, …como se fosse a mim mesmo» (v. 17), Paulo aponta à consideração que Filêmon tem para com ele, para que poça também entrar em comunhão com Onésimo.
«E se ele te deu algum prejuízo…, põe isso na minha conta» (v.18). Paulo pede-lhe que qualquer dívida que Onésimo tem para com Filêmon poça considera-la como se fosse sua.
«Eu, Paulo, escrevo… de ti mesmo a mim» (v.19). É interessante ver uma certa ligação com a oração do Pai Nosso, a qual Paulo procura utilizar para que Filêmon poça pôr-se em discussão. Também é característico o facto que estas palavras são escritas pela sua mão, enquanto normalmente as dita.
«Sim, irmão…da este conforto ao meu coração em Cristo» (v.20). Paulo pede para que poça servir a sua disponibilidade em aceitar o pedido em favor de Onésimo.
«Eu te escrevo…mais do que te peço» (v. 21).Paulo confia na obediência que Filemon terá perante o seu pedido, acreditando que fará mais de aquilo que lhe foi pedido, pode-se reparar uma economia não equilibrada.
«Ao mesmo tempo…espero que vos serei restituído» (v. 22). Embora a dignidade de cada homem igual, para Filêmon a possibilidade de voltar a ver Paulo torna-se garantia de restituição de Onésimo.
«A graça do Senhor Jesus Cristo esteja com vosso espírito» (v. 25). No final da carta o autor considera a palavra espírito como algo que indica as responsabilidades que o homem tem que tomar Perante Deus e perante cada homem.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Uso e abuso

A frase que escolhi é tirada de 1Cor 6,12:

«Tudo me é permitido, mas nem tudo me é conveniente. Tudo me é permitido, mas eu não me farei escravo de nada.»

O motivo desta escolha é a força de uma mensagem que parece banal (e que pode ser, bem o sei, bastante mal interpretada), mas que traduz uma realidade muito presenta na vivência cristã. Tudo me é permitido, porque Cristo me libertou para a «gloriosa liberdade dos filhos de Deus», para utilizar outra feliz expressão paulina. Mas é uma liberdade que, sendo total, carrega consigo o peso da responsabilidade. Permite a auto-destruição, a escravidão com que o homem, tantas e tantas vezes ao longo da História, se afastou o amor de Deus revelado em Jesus Cristo.
Para mim, trata-se de um hino à capacidade que o homem tem, como filho amado, de trilhar um caminho de grandeza, desde que tenha em atenção aquilo que certos teólogos afirmam ser o termo-chave da moral paulina: o discernimento!
Identificar Paulo

Através das cartas de Paulo, vamos conhecendo frases identificadoras que são como que chaves de interpretação da sua retórica, de tal forma que não as encontramos nem nos evangelhos, nem nas epístolas católicas, quer de Pedro, Tiago ou João….Assim, é que, deparamos, por exemplo, em Gl, 2,20 uma expressão típica e impar desta carta:
“Já não sou eu que vivo mas Cristo que vive em mim […]”.Isto quer dizer simplesmente que a sua vida já não é a de antigamente mas que agora, pela fé, é Cristo o sujeito das suas acções. Por isso, ele pode declarar em Rm, 8,2: “A lei do Espírito da vida em Cristo te libertou da lei do pecado e da morte”. E também em Rm, 8,10-11:
“E se o Espírito daquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dará vida também aos vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós”. A sua radicalidade leva-o a dizer, em consonância com o que fica dito, Fl, 1,21: “Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”.

terça-feira, 10 de março de 2009

A preocupação de Paulo com Corinto

Preocupado com a maneira como as igrejas em Corinto estavam celebrando a Ceia cristã, Paulo alerta que tal momento deve ser de reflexão e cita as últimas palavras ditas por Jesus a seus discípulos antes de morrer na cruz.
Assim, o apóstolo orienta que os cristãos devem comemorar esta passagem de modo certo e disciplinado, condicionando que cada homem deve examinar-se a si mesmo e só então comer do pão e beber do cálicee.
Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. (1Coríntios 11:31-32)